INTRODUÇÃO

A Diocese de Jales apresenta suas Orientações Pastorais para a administração do Sacramento do Batismo. São dirigidas às paróquias, comunidades e, em especial, às Equipes de Pastoral do Batismo. Com elas a Diocese espera favorecer a unidade pastoral de todos, e proporcionar um clima de melhor entendimento e de acolhida mais fraterna a todas as pessoas que procuram a Igreja para o Batismo.

Estas orientações de ordem prática, que visam critérios comuns a serem aplicados de maneira adequada nos casos concretos, não dispensam as determinações estabelecidas pelo Direito Canônico no que se refere às condições para a admissão ao batismo.

Elas supõem, igualmente, a fundamentação teológica da Igreja a respeito do valor e do significado do Sacramento do Batismo, que é apresentada no Catecismo da Igreja Católica.

São orientações gerais, que não descrevem todas as situações. Foram explicitadas aquelas que ajudam para superar as dificuldades mais freqüentes, para chegarmos a um melhor relacionamento dos católicos com a comunidade.


1- O ESPÍRITO DAS ORIENTAÇÕES

Todo o empenho dessas Orientações se inspira na atitude de acolhida às pessoas, que vivem hoje com freqüência em situações familiares marcadas por dificuldades crescentes que a realidade apresenta. Ao mesmo tempo querem valorizar a oportunidade do batismo para proporcionar uma orientação necessária para as pessoas que dela necessitam.

Querem, igualmente, valorizar a atitude de fé das pessoas que desejam o batismo para se integrarem na vida de Igreja e para nela encontrarem a graça de Deus que estão buscando.

Diante de situações familiares incompletas, as Orientações procuram reconhecer o que existe de presença da graça de Deus e de valores familiares nas pessoas que procuram o batismo, fazendo desses valores o apoio indispensável para a administração do batismo.


2- IMPORTÂNCIA DO CONTEXTO PASTORAL

A administração do Batismo nas comunidades precisa ser recolocado no clima missionário testemunhado pelo Evangelho: "Pregai o Evangelho a toda a criatura. Aquele que crer e for batizado será salvo." ( Mc 16, 15). A melhor garantia para a administração do sacramento do batismo é o ambiente de entusiasmo e de compromisso com a evangelização da comunidade que acolhe os batizandos.

Por isto, a melhor preparação para o batismo é a própria vivência da comunidade, pelo clima de alegria e de participação, como membros da Igreja.

A responsabilidade pelo batismo é de toda a comunidade. Mas especial responsabilidade cabe às Equipes de preparação do batismo. Por isto, sejam bem preparadas pelas paróquias, para que possam exercer bem este serviço na Igreja, inspirando-se na atitude de Cristo, que sabia acolher adequadamente todas as pessoas.

Mas o batismo convoca a todos para a pastoral de conjunto. Por isto, todas as outras equipes também são chamadas a colaborar na preparação e na administração do batismo, cada qual dentro de suas responsabilidades específicas: a liturgia, os grupos de família, o conselho pastoral, a equipe administrativa, e assim por diante. De tal modo que o batismo se torne um momento feliz e de responsabilidade de toda a comunidade.


3- A PREPARAÇÃO ESPECÍFICA PARA O BATISMO

Em muitas comunidades ainda existem os "cursos de preparação" para o batismo, destinados aos pais e padrinhos. Estas orientações propõem que esses "cursos" sejam, progressivamente, superados para se chegar a maneiras mais adequadas de acolher a todos e encaminhar as pessoas para darem os passos indispensáveis para o batismo.

Já existem muitas experiências positivas neste sentido, e cada paróquia procure conhecê-las. Neste trabalho sejam envolvidos especialmente os responsáveis pela Pastoral do Batismo, para se introduzir as mudanças necessárias para tornar o batismo um momento forte de acolhida pastoral para pais e padrinhos.

O ideal é chegarmos a um crescimento comunitário na fé em que não se necessite mais de "cursos de preparação", mas onde a participação e o testemunho cristão das famílias sejam os critérios para a admissão ao batismo.

Uma boa iniciativa é tornar os momentos de "preparação" em momentos fortes de "encontros de oração", envolvendo pais e padrinhos, com dinâmicas e conteúdos que favoreçam um clima de alegre participação na vida da Igreja.

Algumas comunidades já introduziram o costume de "apresentar" os pais e padrinhos em celebrações que precedem o batismo. Outras costumam organizar visitas às casas, reunindo pais e padrinhos.

Outras paróquias procuram inserir as famílias que buscam o batismo em "grupos permanentes" , que reúnem periodicamente as famílias para reflexão e oração.

São iniciativas que podem inspirar uma melhor preparação para os batizados.

É importante, também, discernir o grau de participação que as pessoas já possuem, para servir de referência para a admissão ao batismo: se já começaram a participar, se já costumam participar, se fazem parte de atividades pastorais. Tudo isto deve ser valorizado como critério de admissão ao batismo.

Dentro desses critérios se deve fazer o discernimento para a necessidade, ou não, de uma preparação específica para o sacramento do batismo.


4- OUTRAS ORIENTAÇÕES

Segundo o Código de Direito Canônico, o batismo de crianças sob responsabilidade dos pais e padrinhos pode ser feito antes de completarem sete anos. Após isto, as crianças sejam encaminhadas para a catequese a fim de serem preparadas para assumirem pessoalmente o próprio batismo.

Para ser padrinho ou madrinha de batismo, a pessoa precisa ter 16 anos completos, e já ter completado sua iniciação cristã com os sacramentos da Eucaristia e da Crisma.

Em princípio, a preparação para o batizado seja feita na própria comunidade. Mas nos casos em que isto venha a favorecer aos pais ou aos padrinhos, autorize-se a preparação em outra comunidade, em entendimento que favoreça a pastoral de conjunto na Diocese. Isto vale também para a própria celebração do batismo, desde que os motivos sejam válidos e não signifiquem privilégio ou descompromisso com a comunidade.

Em cidades com mais de uma paróquia, favoreça-se a preparação em conjunto dos batizados, como igualmente a celebração, também para oferecer aos pais mais oportunidades de celebração do batismo.

Procure-se também favorecer a participação nas celebrações, marcando os batizados para épocas liturgicamente propícias, e para dias que coincidem com festas importantes como Páscoa, Natal ou outros momentos próximos a feriados tradicionais.

Para a celebração dos batizados, além de contar com Equipes que as preparam, incentive-se a participação de animadores de cantos e de outras pessoas que auxiliem na administração do batismo, para torná-la um momento de alegria e de acolhimento.

Que se valorizem os leigos na administração do batismo, e cada comunidade procure chegar à instituição de Ministros Leigos. Onde existem Ministros Leigos Instituídos, que sejam animados a celebrar os batizados.

Na celebração do batismo, ao valorizar o Ritual aprovado pela Igreja, procure-se enriquecer a celebração com as sugestões apresentadas pela Equipe Diocesana de Liturgia através do Boletim Celebrando, para tornar agradável a liturgia, incentivando a participação dos presentes, e ressaltando a graça própria do sacramento do batismo.

Em caso de batismo realizado por outras denominações religiosas, vejam-se as determinações da CNBB. Persistindo a dúvida sobre a validade do batismo, faça-se o batismo sob condição.


5- OBSERVAÇÕES FINAIS

Para que estas orientações possam atingir seus objetivos, é muito importante o esclarecimento das pessoas que têm a responsabilidade do primeiro contato com quem busca o batismo, em nossos escritórios paroquiais, sobretudo os secretários ou secretárias paroquiais. Por isto, sejam eles os primeiros a tomarem conhecimento e a assumirem o espírito destas novas orientações pastorais para o batismo.

A motivação para transformar a preparação e a celebração dos batismos em momentos fortes de evangelização e de vivência da comunhão eclesial precisa ser sustentada continuamente na comunidade. E isto é incumbência de todos os que possuem responsabilidade pastoral na comunidade, a partir do Presbítero e do Conselho de Pastoral, como igualmente todos os que participam de atividades pastorais.

Em todas as hipóteses, a celebração do sacramento do batismo se constitua num momento intenso de vivência de fé e de adesão à Igreja. Por isto, de preferência, os batizados sejam feitos em momentos especiais, e as celebrações tenham sempre o caráter comunitário, com a maior participação possível da comunidade. Cuide-se para que as celebrações do batismo sejam colocadas em momentos adequados do ano litúrgico, e se providencie, em especial, que a celebração da Páscoa possa contar com a administração do batismo, sobretudo na liturgia da Vigília Pascal, sempre que isto for possível.

Fonte:Diocese de Jales