Assembleia Geral dos Bispos começa em Aparecida e debate a missão dos leigos

Com o tema central “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade – sal da terra e luz do mundo”, teve início nesta quarta-feira, 6, a 54ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida (SP), que segue até o dia 15 de abril. Além da discussão sobre laicato, o evento também lançará um olhar sobre a atual conjuntura político-social do Brasil.

Após a Missa às 7h30 na Basílica do Santuário Nacional de Aparecida, a cerimônia de instalação da Assembleia Geral (AG) aconteceu às 9h15, no auditório do Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida.

Compuseram a mesa, o reitor do Santuário Nacional, Padre João Batista de Almeida; o prefeito de Aparecida, Ernaldo Cesar Marcondess; o Arcebispo Aparecida, Cardeal Raymundo Damasceno Assis; a presidência da CNBB, Dom Sérgio da Rocha, Dom Murilo Krieger e Dom Leonardo Steiner, e o Núncio Apostólico do Brasil, Dom Giovanni d’Aniello.

Ao dirigir suas palavras de acolhida aos Bispos, o reitor do Santuário, Padre João Batista, expressou o desejo de que a Assembleia apresente sinais de esperança ao povo brasileiro.

“Senhores, o nosso povo está inseguro pelo futuro do nosso país. Infelizmente a confiança depositada nas urnas nas eleições culminou numa angústia atual”, manifestou o sacerdote, segundo o portal A12, do Santuário de Aparecida.

Padre Batista declarou que “a CNBB sempre foi um guarda-chuva do qual o povo espera uma proteção e o nosso povo precisa respirar esperança, estamos carentes de palavras que nos faça acreditar”.





“Esperamos que essa Assembleia reacenda a chama da vida para a qual queremos trabalhar. Temos a certeza que o Espírito Santo de Deus não abandonará aqueles que foram colocados na condição de guias espirituais do país”, indicou o sacerdote.

De acordo com o portal A12, o presidente da CNBB, Dom Sérgio da Rocha, destacou que, “em momentos de crise, muitos, com razão, voltam seu olhar para a Igreja em busca de sabedoria, e a Igreja, nesse momento representada pelos Bispos, volta o seu olhar ao Cristo e coloca-se em posição de diálogo em escuta para melhor oferecer uma solução ao povo”

“A Igreja – indicou o presidente da entidade – quer oferecer a todos a misericórdia Divina à luz do Evangelho, os critérios éticos que devem sempre nortear a vida pessoal, comunitária e social”.

Nesta quarta-feira, os trabalhos dos Bispos seguem em plenárias fechadas. Diariamente, os Prelados participarão, além das plenárias, da Missa pela manhã e haverá uma coletiva de imprensa às 15h. No sábado, 9, às 15h30, os Bispos darão início a um retiro, que seguirá até o domingo, 10, às 12h, e terá como pregador o presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, Cardeal Gianfranco Ravasi.

Ao atender os jornalistas ontem para a apresentação da Assembleia, o secretário geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, explicou que “a Assembleia Geral tem por finalidade a vivência colegial dos Bispos do Brasil, sendo sinal de comunhão, unidade e vida fraterna”.

“Nós nos reunimos para refletir sobre o momento atual da Igreja e buscar caminhos para anunciar o Evangelho. Trata-se de uma reunião de muito trabalho, estudos, oração e partilha”, pontuou o Prelado.

Sobre o tema central do encontro, central “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade – sal da terra e luz do mundo”, Dom Leonardo esclareceu que este vem sendo estudado há três anos e agora será levado para apreciação e votação. A princípio, haverá debate em torno do texto preparado pela Comissão para o tema central. Em seguida, a redação será apresentada em plenário e, na sequência, votada, podendo receber emendas e sugestões de ajustes.

De acordo com o secretário geral, os Bispos refletirão “sobre o papel dos leigos e sua missão na vida da Igreja e da sociedade” e também como podem “ser mais atuantes na sociedade”

“O leigo está presente na cultura, na Igreja, na vida da política e da sociedade de forma real e concreta. Por isso, é preciso discutir como então anunciar o Evangelho nessas diferentes realidades com a presença dos leigos e com a força do Evangelho”, disse.

Haverá ainda os temas prioritários, como “Liturgia na Vida da Igreja”, a 14ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, a conjuntura político-social, a mensagem “Pensando o Brasil: crises e superações” e as mudanças do quadro religioso no país.

“Eu creio que a maior incidência que os cristãos podem dar é na vida da sociedade, na política”, expressou o Bispo, acrescentando que “uma sociedade não vive sem uma política organizada e sadia”.

“Precisamos de mais representantes que ajudem a pensar o Brasil em valores, na ética e no diálogo”, completou.

Fonte: Acidigital