Cardeal Pietro Parolin: a misericórdia não é "bondosismo"

A misericórdia não é “bondosismo”, simplesmente porque não é obra nossa. Os santos conhecem esta verdade por experiência direta e a testemunharam com a vida; compreenderam com os fatos que a misericórdia de Deus é luz de amor e ternura, portadora intrínseca de seu perdão.

É o que afirma o cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, ao fazer o prefácio do livro “Os santos da misericórdia. Itinerários em Roma e arredores”, de autoria de Laura Badaracchi, um guia que sugere – aos peregrinos do “Jubileu extraordinário da misericórdia” – itinerários espirituais e pontos de meditação sobre numerosos santos.

A misericórdia “é o caminho privilegiado para favorecer a compreensão entre as diferenças e para fazer com que dos conflitos possa brotar a paz”, afirma o purpurado. Não se trata de boas intenções: em sua carne viva, os santos –homens e mulheres, adolescentes e crianças – tiveram o olhar manso de Cristo sobre a realidade, sobre situações concretas, sobretudo, sobre pessoas que cruzaram seu caminho terreno.

No Jubileu extraordinário da misericórdia, os peregrinos que virão a Roma poderão repercorrer os passos feitos por alguns santos, usufruindo das sugestões deste guia, continua o Cardeal Parolin.

O cardeal secretário de Estado observa que os itinerários propostos no guia poderão ser feitos também por quem não terá a possibilidade de ir pessoalmente às igrejas, mosteiros e túmulos que constituem as memórias visíveis sintetizadas no volume.

“Descobrir ou redescobrir as figuras de mártires dos primeiros séculos e de santos cronologicamente mais próximos da nossa época é, em primeiro lugar, um estímulo a sondar sua espiritualidade, o carisma, mas, sobretudo, a capacidade de abandonar-se a Deus para realizar obras de misericórdia corporal e espiritual.”

“É o que deseja o próprio Papa Francisco, que convocou o Ano Santo extraordinário para renovar o impulso de conversão em cada fiel”, recorda o Cardeal Parolin.

O Santo Padre não se cansa de recordar-nos que seremos julgados propriamente sobre estas obras de misericórdia, que promanam de uma profunda renovação interior e não feitas por legalismo: se autênticas, revelam-nos como o amor de Deus nos transformou a ponto de gerar um verdadeiro acolhimento aos outros em nossa vida, continua o purpurado.

Ser discípulos do Senhor significa colocar o Evangelho em prática todos os dias. Desse modo, humildade e misericórdia tornam-se o estilo para anunciar a Boa Nova com a nossa vida. Porque o cristianismo é uma história de homens e mulheres, não uma lista de conceitos, recorda o cardeal no prefácio.

Os santos ajudam-nos a compreender que ser abraçados pela misericórdia é uma experiência tal que inverte positivamente a qualidade das relações, abrindo-nos à doação de nós mesmos, caminho para a felicidade duradoura.

O Cardeal Parolin conclui recordando que após séculos, os santos, curados por Cristo, nos fazem bem e nos mostram com os fatos que as pessoas feridas têm uma esperança se permitem ao Senhor acariciar seus corações fadigados e cansados. Esta experiência gratuita da misericórdia suscita dinâmicas surpreendentes que, espero, os peregrinos e leitores possam experimentar. (L’Osservatore Romano / RL)
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Fonte:Radio Vaticano