Solenidade da EPIFANIA do SENHOR

 

 

Neste final de semana, 07 e 08 de Janeiro, nós celebramos a solenidade da Epifania do Senhor, palavra grega que significa manifestação. O texto de Mateus possui uma belíssima história de 3 figuras exóticas, que vieram do Oriente extremo, a render homenagem ao Rei dos Judeus. Nós conhecemos absolutamente nada destas 3 figuras quase legendárias. Mais tarde, a tradição lhes deu nomes e até mesmo detectou o lugar de suas proveniências. Mas tudo isto é pura especulação. Por que estes 3 personagens são importantes, a ponto de marcar uma solenidade do Senhor? São importantes para o Evangelista Mateus e, conseqüentemente, para nós também, porque eles representam, simbolicamente, todos aqueles e aquelas que viriam do Oriente e do Ocidente, sempre, segundo este Evangelista, e se assentariam à mesa com o Deus de Abraão, de Isaac e Jacó. Eles são os representantes dos pagãos convertidos ao Cristianismo; eles são os representantes daqueles que receberam Jesus, sem passarem pelo Judaísmo, isto é, todos nós. Interessante o texto de Mateus; enquanto aqueles que possuíam as chaves da Escritura, os sacerdotes e, de certa maneira, os chefes de Jerusalém, fecharam-se ao Rei dos Judeus, os pagãos se abriram a Ele. E quando este Evangelho foi escrito, no final do primeiro século, isso era pura realidade na comunidade de Mateus, bem mais repleta de pagãos Cristãos, do que Cristãos provindos do Judaismo. Muitos virão e continuam a vir, porque a Igreja recebe muitos filhos diariamente com o batismo; do Oriente e do Ocidente muitos continuarão a vir, pois o dom de Deus, em Cristo, abre-Se e descortina-Se para toda a humanidade, e não mais apenas para os Judeus. Uma figura triste, contudo, se apresenta neste texto aqui: é Herodes; é Herodes que, no conto de Mateus, procura matar Jesus. Nem bem nascido, o Rei dos Judeus já é perseguido de morte. E atenção: este título reaparecerá neste mesmo Evangelho, por ocasião da paixão e morte de Jesus, como letreiro de Sua cruz: “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus”. Herodes, embora figura histórica, é aqui o representante das trevas; é o representante e o símbolo negativo de todos aqueles e aquelas que, durante 20 séculos de Cristianismo, fizeram de tudo para cancelar o Rei dos Judeus, para Lhe apagar a memória. E nós nos recordamos de grandes perseguidores, de figuras sinistras, de figuras que se opuseram sistematicamente aos planos de Deus. E ainda hoje existem Herodes; ainda hoje existem pessoas que procuram semear o anti-Evangelho; procuram semear as trevas, procuram semear o joio, procuram desviar os outros do Rei dos Judeus. Nós sabemos o significado da festa e nós agradecemos a Deus por ter oferecido a Luz da salvação a toda a humanidade, e queremos imitar não Herodes, mas os três magos, que hoje nos precederam a adorar o Rei dos Judeus.